O que ficou de dois dias de shows do 16º Festival Vaca Amarela, em Goiânia

Por Aproveite em 25 de set de 2017

A 16ª edição do Festival Vaca Amarela (@festivalvacaamarela), encerrada neste domingo (24), tinha todo o script para um estrondo. Mas os ruídos da organização não deixaram que fosse assim. Ao menos, é a percepção que ficou dos dois dias de shows no Palácio da Música, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia.  É que, no final, conta a experiência como um todo. E o público, que é o cliente, quer usufruí-la plenamente.

Pabllo Vittar fez show emocionante durante a 16ª edição do Festival Vaca Amarela. Hit atrás de hit, a cantora esbanjou simpatia

Artistas escolhidos a dedo. Questões pulsantes e necessárias. O feminino. O feminismo. O papel da mulher. A sexualidade. O gênero. O preconceito. A produção independente. Cada causa inserida no cenário de um festival de música com discursos ecoados nas canções por artistas que personificam protesto, resistência. Louvável, emocionante e com a possibilidade de dialogar com espectadores recém-conquistados pelo fenômeno Pabllo Vittar.

Credencial de imprensa do Festival Vaca Amarela.  O #aproveiteacidade acompanhou shows à beira do palco, onde viu de perto o desempenho dos artistas e areação do público / Foto:  Carla Falcão

O público entendeu e abraçou o palco, apresentação após apresentação. Contornou o que era contornável. Houve canto, coreografia, receptividade. Força! Magia! Tudo isso superou o som distorcido ou que deixou de funcionar quando a atração com maior apelo popular do evento afirmou estar prestes a desistir do show por conta das condições. O problema não foi só com Pabllo Vittar, que fez jus à comoção gerada e sobrou em simpatia. A técnica acabou sendo o de menos.

Linn da Quebrada fala da causa LGBT em suas músicas, prega liberdade e ganha público pela irreverência e falta de rodeios / Foto:  Carla Falcão

Principalmente na sexta-feira (22), foi difícil usufruir dos serviços básicos do Vaca Amarela. As filas para comprar fichas eram longas. Em meio à espera, shows passaram. Beneficiou-se quem chegou mais cedo e notou os caixas na escada que dá acesso a parte inferior da cúpula ou quem recebeu uma dica esperta no bar – foi o nosso caso – em meio a possibilidade de simplesmente desistir de se alimentar.

Salma Jô, vocalista da banda goiana Carne Doce, dança durante show compacto na sexta-feira (22) de Vaca Amarela / Foto:  Carla Falcão

Credencias no pescoço, área reservada na frente do palco e com uma dinâmica diferente do público geral para acompanhar apresentações, excetuando-se as invasões de palco, tudo parecia nos conformes. Ótimas performances  de Deb and the Mentals (SP), com a batida mais pesada do dia, o  divertido Sapabonde,  o som bom de ouvir do Carne Doce.   Roubos, furtos de celulares e agressões foram descobertas feitas nas redes sociais na manhã seguinte, com relatos enraivecidos diante da postura adotada por organizadores.

Curumin fez apresentação linear, após 50 minutos de discotecagem. Cantos e  baterista faz som cheio de personalidade e referências da nacionais

Com todas as providências de segurança pensadas, a produção de evento é capaz de evitar aglomerações com a disposição da estrutura. Uma coisa é fato: a Fósforo Cultural, que promove o Vaca Amarela, sabia que Vittar fugia aos padrões do festival e isso não se limitava a área do palco.  Se tudo já deu errado, é necessário respaldar vítimas, não apenas lamentar.

Djonga, rapper de Belo Horizonte, levou basicamente toda a apresentação no Vaca Amarela pertinho do público, que cantava suas letras empolgado / Foto:  Carla Falcão

Já no sábado (23), com público bem menos robusto, tudo funcionava com fluidez. E o discurso também ecoado na sexta-feira (22) perdurava, com destaque para a Linn da Quebrada (SP). Transexual que com letras certeiras e cativantes. “Quer eles queiram, quer eles não, estamos vivas”, disse ao encerrar  o show. Curumin (SP) e MC Carol fizeram as duas últimas apresentações. Que fiquem várias lições desta edição.

Mc Carol foi atração que encerrou os shows no Centro Cultural Oscar Niemeyer no sábado (23) / Foto:  Carla Falcão


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